
CARTA ABERTA
Ex.mos Senhores
Depois da infeliz e despropositada intervenção de derrube de um dos edifícios da Fábrica Robinson, numa clara violação da Lei, tal como sempre afirmámos e como foi agora confirmado pela Direção Geral da Cultura (DGC), urge pôr fim a esta postura de desleixe e abandono deste património classificado e dar passos concretos e eficazes na direção da sua preservação e valorização, indo ao encontro da vontade expressa pelos portalegrenses através da entusiasta adesão às iniciativas promovidas pel´ Os Verdes e pela própria Assembleia da República ao aprovar unanimemente a Resolução N.º 70/2018.
Só esses passos concretos justificarão a continuação da existência de uma Fundação que, ao longo destes 14 anos, pouco ou nada fez no sentido de gerir as verbas, hoje escassas (embora nem sempre assim o tenha sido), destinadas à “preservação de espólios: do arqueológico-industrial da Sociedade Corticeira Robinson Bros S.A.; e de qualquer outro espólio cuja preservação lhe seja confiada.…”.
Dentro do espírito que tem pautado a preocupação e a luta do PEV na defesa deste valiosíssimo património, continuaremos empenhados, sem dar tréguas, em pressionar as mais diversas entidades, com o objetivo de manter o que está ainda de pé e para que não haja pretextos para mandar mais nada abaixo, nem que nada seja desviado para fins alheios à salvaguarda da memória industrial dos portalegrenses.

Ficámos ainda a saber que não tinha sido até ao momento apresentado, à tutela da cultura, qualquer plano estratégico de intervenção para o espaço Robinson.
Atendendo a que esta informação foi dada a conhecer à senhora Presidente da Câmara, na última reunião de Assembleia Municipal, em 22 de fevereiro de 2019, pela Dirigente de Os Verdes, Rosário Narciso, eleita pela CDU neste órgão, e que a proposta de Contrato-Programa entre a Câmara e a Fundação só prevê para a Robinson 120.000 euros, verba que só faz face às despesas com os trabalhadores e pouco mais, quando este contém um vasto levantamento de pequenas obras essenciais, gostaríamos de saber que medidas tomou a senhora presidente da Câmara Municipal, presidente também do Conselho de Curadores, para:
- que a fábrica Robinson possa vir a usufruir de fundos comunitários para a recuperação de espaços no âmbito do programa 20/20;
- para a elaboração do plano estratégico de intervenção, discutido com a população e com as entidades vivas, antes que seja posta em causa a musealização do espaço, sendo que no Contrato-Programa surge já uma proposta desgarrada de residência de estudantes num dos edifícios que pode vir a ser fundamental para o museu.
Os Verdes preocupam-se e não querem deixar avançar a situação de descuro a que a Fábrica Robinson tem sido votada.
Senhora Presidente, sente os vários parceiros à mesa, ouça a população e empenhe-se na melhor solução para a proteção e valorização do património da Fábrica Robinson, pertença dos portalegrenses. Queremos ver Portalegre a crescer e sabemos que a Fábrica da Rolha poderá oferecer um forte impulso para que tal aconteça.
Estaremos sempre dispostos a ser parte da solução!